Thales Faggiano

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Implicações do Modelo Padrão na vida cotidiana

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Assim como a mudança do paradigma Geocêntrico para o Heliocêntrico modificou as relações culturais, comerciais e científicas do mundo de forma espantosa, o Modelo Padrão de Partículas (MPP) poderá interferir não só na maneira como compreendemos o universo, como nas escolhas do dia-a-dia. Numero a seguir algumas implicações:

  1. A adoção de paradigmas heurísticos, uma vez que “(…)a teoria quântica eliminou o sonho newtoniano de um processo controlável de mensuração;” como disse Joseph Ford do Georgia Institute of Technology em seu livro ‘What is Chaos, that we should be mindful of it?’.
  2. A compreensão da vida como um processo dinâmico, energético e resiliente. O MPP dá subsídios para compreender melhor o “problema dos múltiplos mínimos” no dobramento de proteínas. O premio Nobel Christian Anfinsen disse: “Se a cadeia explorasse aleatoriamente todas as configurações de rotação, ‘de forma plausível’ (…) levaria 10^26 anos para examinar todas as conformações.”. Porém uma cadeia proteica como a da ribonuclease leva cerca de 2 minutos para sua conformação, i.e. resiliência.
  3. Mais revisões sobre o tempo. Richard Feynmann diz que o pósitron “retroage” no tempo, i.e., em modelo de analogia poderíamos dizer que enquanto você lê este post o seu olho absorve fótons enviados pela tela e emite formas de antifótons na direção inversa. Ou seja, há um “Handshake” entre a tela e seu olho, com conexões para os dois lados no tempo e no espaço!

Portanto, com uma mudança na forma de fazer ciência (1), de relacionar-se com a vida (2) e entender o tempo (3), há fortes razões para acreditar que a MPP não só terá implicações na vida cotidiana como certamente mudará o curso da vida no nosso planeta.

Claro que opinei de forma deliberadamente polêmica e de forma certamente especulativa, porém intuitivamente.

Quando lí pela primeira vez o “The Theory of Pósitrons” do Feynmann (sem entender nada da parte matemática), o que me chamou a atenção foi ele considerar o pósitron como um elétron que retroage no tempo. Foi então, na tentativa de compreender isso que me deparei com a interpretação transacional da mecânica quântica. Que considera os processos quânticos como ondas interpostas entre emissores e absorvedores. Sendo que as ondas retardadas  se propagam do absorvedor para o emissor e as ondas avançadas vice-versa. E como considero  todo elemento primordial (inclusive fótons) da matéria um sistema organizado de fluxo vibratório de energia no espaço e tempo, associei esta ideia de retroatividade ao fóton. Talvez erroneamente, mas digno de um bom debate! hahaha.

E com relação ao “problema dos múltiplos mínimos”. Acredito (hipótese) que a vida possua metas que podem ser representadas por um “modelo dinâmico-matemático” conhecido como “Bacias de Atração”. Neste modelo o “atrator gravitacional” é a metáfora para a meta (propósito). Na biologia, Conrad Waddington chama este atrator de “paisagem epigenética”, no qual um orgão qualquer representa o ponto final e o caminho percorrido no vale a sua formação. O Francês René Thom desenvolveu esta ideia através da “topologia diferencial” e começou a utilizar os atratores nos “Campos Morfogenéticos” (Sheldrake). Dentro deste campo hipotético os atratores ajudam a explicar a regeneração da vida em experimentos como o da Acetabularia mediterranea. ( Ou no Wiki Alemão: http://de.wikipedia.org/wiki/Schirmalgen)

Agora associando a primeira ideia (retroatividade quântica) com a segunda (atratores epigenéticos) penso que a ideia de processos invertidos no tempo influenciariam futuros virtuais e daí todos os padrões de organização e desenvolvimento, inclusive moléculas.

Whitehead (professor de Russel e co-autor do Principia Mathematica) diz que a teoria quântica, através da teoria ondulatória da matéria, apontava para as mesmas conclusões que Bergson havia chegado, de que a matéria não é inerte e atemporal, corroborando ainda mais para a compreensão de uma matéria “Viva”.

Como bem apontado pelo Prof. Clóvis de Barros Filho existe uma energia em nós que oscila, que é chamada por muitos nomes:
– Lucrécio, em seu Poema, a chama de Clinamen;
– Hobbes, no Leviatã, a chama de Conatus;
– Schopenhauer de Vontade;
– Nietzsche de Vontade de Potência;
– Freud de Libido;
– Bergson de Élan Vital;
– Espinosa de Potência de Agir;
– Clóvis de Tesão pela vida;

E para mim, o MPP nos aproxima cada vez mais na direção de compreender a relação “vida” x “matéria” como dois aspectos de uma coisa só.

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